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PESQUISA

Impactos ambientais causados pelo Aterro Sanitário de Goiânia são investigados por pesquisadores do IFG

Estudo busca analisar as interações causadas pelo chorume produzido no aterro para o meio ambiente

  • Criado: Quarta, 11 de Setembro de 2019, 14h05
  • Última atualização em Quinta, 12 de Setembro de 2019, 13h30
As alunas Caroline de Sousa e Cricia Guimarães, durante análise no canal de medição da vazão do chorume produzido no Aterro Sanitário de Goiânia
As alunas Caroline de Sousa e Cricia Guimarães, durante análise no canal de medição da vazão do chorume produzido no Aterro Sanitário de Goiânia

Pesquisa que está sendo desenvolvida por professores e alunos do Câmpus Goiânia do Instituto Federal de Goiás (IFG) realiza o acompanhamento dos aspectos ambientais no Aterro Sanitário de Goiânia, situado na região Noroeste de Goiânia, com o objetivo de monitorar e avaliar os impactos causados pelo aterro. O estudo é fruto de cooperação técnica entre o IFG e a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), que busca fornecer subsídios para proposição de melhorias e ajustes no controle e na operação para a destinação dos resíduos no local.

Diferentemente de um lixão, o aterro sanitário é uma área ambientalmente adequada para disposição final de resíduos. A construção de aterros nos municípios brasileiros integra a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. De acordo com essa legislação, os lixões no Brasil deveriam ser fechados até 2014, porém, ainda existem quase 3 mil lixões distribuídos em 1.600 cidades, conforme levantamento mais recente divulgado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Em Goiânia, o aterro sanitário foi construído nos anos de 1970. De lá para cá, a área foi cada vez mais demandada para receber o lixo produzido pela população de Goiânia. Atualmente, o depósito recebe cerca de 1.260 toneladas por dia de resíduos domiciliares, confirma a coordenadora do Aterro Sanitário de Goiânia e aluna concluinte do Mestrado em Tecnologia de Processos Sustentáveis do Câmpus Goiânia do IFG, Fabíola Adaianne Oliveira.

Chorume

Com a intenção de avaliar a evolução desse espaço, grupo de pesquisadores do IFG visita quinzenalmente o aterro sanitário para coletar amostras das águas superficiais e do subsolo, com o objetivo de analisar o percolado, vulgarmente chamado de chorume, que se trata de um líquido muito poluente resultante da decomposição dos resíduos despejados no aterro.

Segundo o coordenador da pesquisa e professor da área de Meio Ambiente do Câmpus Goiânia do IFG, Sandro Pimenta, o aterro fica muito próximo ao córrego Caveirinha ( menos de 200 metros), sendo relevante para o estudo a análise se há alguma contaminação do manancial pelo chorume.

O tratamento do chorume no aterro sanitário consiste em um sistema composto por grades, medidores de vazão, duas lagoas anaeróbias (de 40 x 80 m cada) e uma lagoa facultativa (de 50 x 100 m), conforme explica a coordenadora do aterro. Na entrada da primeira lagoa anaeróbia, fica localizado um canal de medição de vazão, que tem acoplado um medidor de nível em régua graduada para acompanhamento do volume de chorume gerado. O chorume acumulado na terceira lagoa anaeróbia é bombeado para o sistema coletor, que o conduz para uma da rede de esgoto e segue para Estação de Tratamento de Esgoto de Goiânia (ETE).

De acordo com o professor Sandro Pimenta, esse sistema não trata o chorume completamente, apenas ameniza os impactos. “No momento, o trabalho agora concentra-se em fazer o cálculo de eficiência dessas lagoas de tratamento. Estamos fazendo o monitoramento e consequentemente faremos a avaliação de eficiência delas também, que devem ser os resultados da pesquisa nos próximos meses e que serão publicados TCCs ( trabalhos de conclusão de curso) dos alunos envolvidos na pesquisa”, explica o docente. Todas as amostras de águas coletadas são analisadas nos laboratórios da área de Meio Ambiente, no Câmpus Goiânia do IFG.

A cooperação técnica entre IFG e Comurg, que teve início em 2018 e previsão de conclusão no segundo semestre de 2020, possibilitou o desenvolvimento de dois trabalhos de conclusão de curso de estudantes do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária e atualmente existem mais três TCCs sendo desenvolvidos dentro desse projeto de pesquisa. Nos trabalhos já concluídos, foram apresentados os resultados prévios das análises físico-químicas e foram feitas sugestões de melhorias na gestão do aterro sanitário, que foram comunicadas à coordenação do Aterro Sanitário de Goiânia.

Participam também da pesquisa o professor da área de Engenharia Civil do Câmpus Goiânia do IFG, Douglas Pitaluga; o professor do Câmpus Aparecida de Goiânia do IFG, Tiago Godoi Ribeiro; e mais alunas do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária: Cricia Lopo Guimarães, Caroline Batista de Sousa, Amanda Rodrigues de Sousa e Silva e as egressas do curso, Renata Cavalcanti Mafra e Ingrid Karolyne da Silva Cavalcante.

“A cooperação técnica auxilia nas ações de extensão do IFG. O desenvolvimento da pesquisa gera dados quantitativos e qualitativos para o aprimoramento da gestão, manutenção e operação do Aterro Sanitário de Goiânia, além de acompanhar os potenciais impactos ambientais que podem ser gerados pela operação e manutenção inadequadas deste”, destaca o professor Sandro Pimenta.

Para a coordenadora do Aterro Sanitário de Goiânia, Fabíola Adaianne Oliveira, a parceria na promoção da pesquisa é benéfica tanto para o IFG quanto para o aterro. “Essa pesquisa é importante tanto para os alunos que têm acesso ao aterro e podem desenvolver vários trabalhos práticos, o que promove uma visão do mercado de trabalho real, contribuindo na preparação desses para se tornarem profissionais mais completos; quanto para o aterro, que pode assim usufruir dos resultados das pesquisas aqui desenvolvidas”.

Investimentos 

Dentre as proposições já feitas para melhorias no aterro sanitário, o grupo de pesquisadores sugeriu a necessidade de ser instalado no local uma estação de monitoramento climático, pois atualmente só há um medidor de precipitação de águas da chuva. “A gente precisaria ter esses dados climáticos, porque, com a estação, temos a direção dos ventos, a quantidade da água de chuva que cai na área do aterro. Quanto mais água de chuva, mais geração de percolado (chorume) e mais dificuldades há para tratá-lo.”

Outro aspecto investigado no estudo é sobre o pátio de compostagem de lixo orgânico para a produção de adubo, que é utilizado em parques e jardins em Goiânia. O estudo com o composto orgânico será concluído até o final do ano, e o objetivo dos pesquisadores é melhorar o composto final, para que se possa gerar um adubo orgânico mais enriquecido.

Ao final da cooperação técnica entre IFG e Comurg em 2020, a intenção dos pesquisadores é desenvolver uma relação de proposições com objetivo de sugerir melhorias no tratamento dos resíduos no aterro. Para tanto, segundo o professor Sandro Pimenta, são necessários investimentos do poder público no local.

Segundo o docente, os pesquisadores pretendem renovar a parceria entre o IFG e a Comurg após a conclusão do estudo, dando continuidade a outras pesquisas em diversas linhas, como a geração de biogás, geração de composto orgânico para fertilização de solo, balanço hídrico e geração de percolado.

 

Coordenação de Comunicação Social do Câmpus Goiânia.

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