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Projeto Quilombos Sustentáveis em Rede é inaugurado em comunidades da Chapada dos Veadeiros

Eventos de lançamento foram realizados nas comunidades quilombolas do Moinho, Forte e Diadema. Oficinas começam  4 de setembro

  • Criado: Quarta, 01 de Setembro de 2021, 20h23
  • Última atualização em Quinta, 14 de Outubro de 2021, 10h18
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Troca de conhecimentos contemporâneos e ancestrais, oficinas formativas em comunidades de difícil acesso e a integração de tradições culturais distintas, mas que partilham da mesma luta. Esse foi o itinerário da inauguração do projeto de extensão Quilombos Sustentáveis em Rede, entre os dias 28 e 30 de agosto, em comunidades quilombolas da Chapada dos Veadeiros.

A equipe do projeto, composta por representantes dos Câmpus Uruaçu e Cidade de Goiás do Instituto Federal de Goiás, foi acolhida pela comunidade quilombola do Moinho, em Alto Paraíso, no dia 28; por Forte, comunidade de São João da Aliança, no dia 29; e pelo quilombo de Diadema, em Teresina de Goiás, no dia 30. As atividades na cidade de Cavalcante tiveram de ser adiadas devido às restrições sanitárias vigentes de combate ao vírus Covid-19.

O projeto irá iniciar o primeiro de quatro ciclos de oficinas formativas essa semana, nos dias 4, 5 e 7 de setembro, nas áreas de Alimentos do Cerrado, Audiovisual, Bioconstrução e Tecnologias Digitais. Em algumas das comunidades, parte das oficinas foram realizadas durante o evento de lançamento e deverão ser concluídas no final da semana.

Outro objetivo do Quilombos Sustentáveis em Rede é fortalecer a rede de quilombos da região. Para isso, o projeto promove o reencontro de comunidades que, devido às dificuldades de acesso dos territórios, agravadas durante o período de pandemia, estão distantes umas das outras, mesmo dividindo laços próximos de parentesco.

Parcerias

O ambiente de confiança e aprendizado marcou os ventos de inauguração nas comunidades. Os saberes tradicionais dos quilombos parceiros protagonizaram juntos dos conhecimentos técnicos e tecnológicos transmitidos nas oficinas oferecidas pelo IFG.

Para o coordenador da Comunidade Quilombola do Moinho, Lucas Gomes, o trabalho do projeto traz novas oportunidades.

"A parceria com o IFG tem possibilitado o acesso da Comunidade Quilombola do Moinho a cursos de capacitação importantes para a sua profissionalização. É uma grande oportunidade para as pessoas, mesmo na pandemia, terem acesso a cursos de formação no local onde vivem."

Para a comunidade do Moinho, é muito importante que essas ações tenham continuidade. "A expectativa é que possamos dar continuidade na oferta de cursos nas áreas demandadas pela comunidade e uma maior integração na rede Quilombola da região", conta Gomes.

Mesmo entre comunidades diferentes, o acolhimento das parcerias e o sentimento de colaboração é semelhante. Em entrevista concedida aos alunos da oficina de Audiovisual realizada em Forte, coordenada pela professor Carlos Cipriano, o membro da comunidade Wanderson "Chu" também falou sobre a importância dessas relações para o desenvolvimento local.

"Só através da parceria a gente pode avançar. Fortalecendo um braço a gente fortalece outros e assim acredito que a gente vence. Temos que acolher os parceiros, como o IFG, as outras comunidades que estamos trazendo pra dentro da nossa. Estamos nos aproximando dos nossos irmãos, a realidade é essa."

Oportunidades

A recepção do projeto no quilombo de Diadema, em Teresina de Goiás, não foi menos calorosa, e contou com a vice-presidente da Associação dos Pequenos Agricultores da Comunidade Kalunga Diadema, Maria Divina Farias; com o prefeito de Teresina de Goiás, Kleverton Barbosa de Mello; a Secretária de Educação, Maria das Graças Reges Magno, e o Secretário de Administração do município, Márcio Rabelo Júnior.

Gestores comunitários e do poder público apostam nas novas oportunidades que podem ser geradas por meio da educação. Para Divina Farias, que é mãe de seis filhos, as novas gerações quilombolas precisam aprimorar seus conhecimentos e métodos de produção. As oficinas do projeto são um meio de produzir renda e divulgar o trabalho e os saberes de seu povo.

"Nós quilombolas já fomos muito privados desses conhecimentos, mas nossos jovens precisam saber usar essas tecnologias", lembra a Kalunga. "O IFG está dando a possibilidade da comunidade desenvolver o que já sabemos - nossas mulheres sabem utilizar os produtos do Cerrado, mas não temos o conhecimento para levar para fora."

Crescimento

Teresina de Goiás vive um momento importante de seu desenvolvimento. Segundo o prefeito Kleverton Barbosa, sua gestão trabalha pela inclusão das riquezas naturais do município no roteiro ecoturístico da Chapada dos Veadeiros.

"Nós estamos entrando agora no ramo do ecoturismo, nos juntando às outra cidades da região. Acreditamos que isso vai trazer desenvolvimento para a cidade, o turismo sustentável do meio-ambiente gerando renda".

A parceria entre o IFG e o município vem tratar o problema da qualificação da mão de obra, necessária para o crescimento do setor turístico. Segundo o gestor, os setores privados ainda dependem muito de apoio da prefeitura, pois é difícil encontrar profissionais com os conhecimentos técnicos necessários no município.

"Nosso município é carente de estudo, então projetos como esse agregam bastante", aponta Barbosa. "Com a oferta desses cursos, a população não vai precisar tanto da atuação da prefeitura."

Quilombos Sustentáveis em Rede

O projeto Quilombos Sustentáveis em Rede é composto por professores das áreas da Arquitetura e Ciência da Computação, do Câmpus Uruaçu; e das Ciências Agrárias/Agroecologia e Artes, do Câmpus Cidade de Goiás. 

No primeiro ciclo de cursos, que será ministrado nos dias 4, 5 e 7 de setembro, as oficinas de Alimentos do Cerrado serão ministradas pelo professor Diogo de Souza Pinto (Cidade de Goiás); de Audiovisual pelo professor Carlos Cipriano (Cidade de Goiás); as oficinas de Bioconstrução por Andreia Alves do Prado (Uruaçu); e o professor Maurílio Humberto Rodrigues Miranda ministrará as oficinas de Tecnologias Digitais.

O projeto deverá realizar outros três ciclos de oficinas até o ano de 2022, que poderão ser ministradas por outros professores que integrarão a equipe. Até o quarto ciclo, as oficinas irão totalizar 200 horas de aulas, divididas entre todas as comunidades.

O objetivo do projeto é fortalecer a rede de quilombos da Chapada dos Veadeiros e promover a formação técnica e profissionalizante das comunidades parceiras. Para a Diretora do Câmpus Uruaçu e integrante do projeto, professora Andreia Alves do Prado, o trabalho vem para "fortalecer as relações do IFG com a rede quilombola e cumprir com a função social da Instituição, que é estar presente nas comunidades". 

De acordo com a gestora, as escolhas do projeto partiram do processo de escuta realizada pela equipe às comunidades da região. "Diferente de  outras ações que já participamos ou elaboramos, dessa vez nós fomos primeiro nas comunidades com a intenção de ouvir", declara a diretora. 

 

Comunicação Social/Câmpus Uruaçu.

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